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2006-08-07
Texto para reflexão - ´A criança e o árbitro de futebol´
Chegou à APAF um texto, publicado num website brasileiro, que faz uma reflexão sobre a forma como as crianças vão, ao longo do seu crescimento, olhando para o ´Árbitro´.
Vale a pena ler e reflectir.
A criança e o árbitro de futebol
O futebol é o principal desporto praticado em todo mundo. A criança quando nasce, sendo menino, certamente receberá uma bola de presente. Esta o acompanhará para sempre, em casa, na escola, no campo de terra batida, no clube, em qualquer outro lugar onde possa chutá-la.
A criança praticará o futebol sem nenhuma obrigatoriedade. Neste primeiro estágio ela não dá qualquer atenção ou valor à necessidade das regras, o que importa é chutar a bola.
Um segundo estágio se inicia quando a criança começa a praticar o futebol no sentido de equipa. Observando que não está mais só dentro de um espaço e que algo novo deve ser respeitado, as regras. Este ponto é claramente visto quando a criança demonstra sua competência para criar sua própria regra, se adaptando ao momento que obriga esta mudança, por exemplo: um menor número de jogadores (Lei 3) ou até mesmo colocando como postes (Lei 1) duas latinhas de refrigerante.
Logo podemos visualizar a chegada do terceiro estágio na vida futebolística da criança, onde sua consciência do carácter arbitrário passa para a necessidade de uma cooperação mútua entre os competidores, resultando na obrigatoriedade de respeitar as regras do jogo.
Como jogador, a criança passa a ver um novo personagem, o árbitro de futebol. Para ela este homem de preto representa a lei, sem ele não há jogo, nele será depositada toda a confiança e respeito. O árbitro será visto como indispensável, infalível e incorruptível. Neste estágio a função do árbitro será de um educador, transmitindo às crianças todo seu conhecimento e desenvolvimento da noção das regras do jogo de futebol.
Também neste estágio o árbitro terá sua melhor escola de aprendizagem para ser um árbitro respeitado. Ele passará por um verdadeiro vestibular ou seja, passará pelo crivo dos pais. Emoção e o coração estarão sempre à frente de qualquer crítica feita por um pai a um árbitro.
O árbitro ainda terá como principal função transmitir à criança o respeito pelo fair play (jogo limpo). Impedir a violência. Exigir que nenhum adversário seja humilhado ou abusado por razões raciais, étnicas ou religiosas. E ainda, que o futebol faz amigos.
As crianças mais velhas, em seu último estágio, admitem que o árbitro pode equivocar-se e que suas decisões podem ser discutidas. Passando a não ser o senhor único da verdade. Porém sabem que sua decisão no momento da partida deve ser amplamente respeitada e aceite.
Infelizmente para o futebol, a criança vê nos pais a principal figura relacionada com a verdade, e sendo assim, quando ela observa o seu pai a criticar abertamente o árbitro, ela se sente no mesmo direito. Aí nasce o vício de que o árbitro será sempre o causador da sua derrota.
Texto de: Valter Ferreira Mariano, 38 anos, residente na cidade de Campinas/SP.
Veja o texto original no link associado.
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